
Veio em minha mesa, no bar da Bahiana, o poeta fracassado.
Vendia cadernos verdes, com poesias escritas em um encarte broxurado.
Com a pena que sentia, o poeta fracassado escrevia.
Fiquei comovido com a cena, que até o violino ao fundo se ouvia.
Abri uma página e li um verso e prosa rimada.
Mas a poesia não se vende, porque quando nasce, já nasce alada.
Como veio o poeta fracassado desapareceu.
Não sei se era mesmo um fracassado, ou se o seu fracasso era apenas um pensamento meu.
Nem me lembro da tal poesia que li.
Mas me deixou convicto que a palavra jamais deve ser guardada para si.
A partir dali entendi que a poesia tem sua função meio que homeopática.
Cada dia uma poesia, pode deixar uma alma menos drástica...