
QUANDO VIREI EU MESMO
Quando eu era criança
Era minha Mãe que pensava por mim
Roupinhas idiotas, comidas ruins e saudáveis
Falar "bom dia", "boa tarde", "eu te amo" e outras coisas agradáveis.
Um pouco mais velho
Eram as professoras que pensavam por mim
Amor a pátria, responsabilidade e bondade
Falar "sim senhora", "não senhora", e cultivar a "boa amizade"
Mais adiante
Era a igreja que pensava por mim
Amar a Deus, ser obediente e temeroso
Falar "graças a Deus", "vai com Deus" e não questionar o "glorioso"
Na adolescência aborrecente
Era a TV que pensava por mim
Tomar Coca Cola, usar OP e Pier, curtir a rede globo
Falar "só", "na manha" e se fantasiar de bobo
Quando eu era jovem
Era o amor que pensava por mim
Se apaixonar, dar presentes e fazer loucuras
Falar "môr", "para sempre" e fazer infames juras
Depois que fiquei adulto
Eram todos que pensavam por mim
Onde trabalhar, o que estudar e como agir
Falar, escutar, fazer e seguir
Quando eu me cansei
Era o psicólogo que pensava por mim
Auto questione isso, aquilo, reveja o que passou
Falar "eu encaro", "eu sou isso" e "eu sou"
Foi quando virei eu mesmo
E deixei que apenas eu pensasse por mim
Falo, sou, penso, vou, visto, amo, quero, tenho apenas o que quiser
Falo o que, quando, com e como no momento que tiver
Mensagem aos maus espíritos
Então eu digo que não me importo com o que todos vocês pensam de mim
Porque no final seremos iguais e todos nós iremos morrer
Tua cabeça está entupida de mediocridade
Tão entupida quanto o meu corpo de gorduras
Então eu digo que preferia mil vezes não escutar teus comentários infames
Porque no final a verdade não pertencerá a ninguém e todos nós iremos morrer
Teu sorriso está carregado de mediocridade
Tão pesado quanto os meus quilos na balança
Então eu digo que felizmente não sou o mesmo de dez anos atrás
Porque no final estarei bem melhor quando todos nós iremos morrer
Tua vida está carregada de novas dívidas
Tão novas quanto minhas doenças derivadas da obesidade
Então repúdio toda a tua falsidade
E seu jeito imbecil de falar sempre o mesmo da minha incapacidade
Então só peço que me deixem na minha paz
Que me deixem com meus defeitos, minhas imperfeições e aquilo que me satisfaz
Só peço que fechem seus olhos para o que não gostem de ver
Ou olhem para outra direção
Só peço para que tapem os ouvidos para o que não gostem de escutar
Ou mudem tuas cabeças de lugar
Estúpidos, podres, derrotados e falsos
Já venci uma vez, vencerei outras
Tuas vozes do além jamais me incomodarão novamente
Sou um gordo e minha barriga grotesca vai estragar teu cenário
Minhas palavras sujas e desconjuntadas vão dizer sempre o contrário
Então eu digo que no lugar de vocês eu procuraria um novo caminho
Porque me detonar não vai te fazer melhor ou mais bonitinho
Antes que eu me esqueça, um último recado
Para mim eu sempre estarei certo
Mesmo quando eu estiver errado.
NOTA DO AUTOR: Este texto não é endereçado a ninguém. O Autor não está puto com ninguém ou nada. Peço que o texto não sirva como tentativa de traduzir Alexandre dos Santos Silvano, pois uma coisa não tem “quase” nada haver coma outra e se tiver é um problema do autor e dele apenas. Obrigado.