
Insônia
Acabou-se a fumaça
E a falta do fogo trouxe o frio
O frio sozinho na madrugada
E não há mais emoção para ser procurada
Acabou-se a gasolina
E a falta do carro trouxe o tédio
O tédio sozinho na madrugada
E não há mais emoção para ser procurada
Acabou-se o motivo
E a falta de motivo trouxe a inércia
A inércia sozinha na madrugada
E não há como sobreviver ao nada
Acabou-se o revide
E a falta de revide trouxe a decadência
A decadência sozinha na madrugada
E não há como sobreviver ao nada
Às duas e meia, não saio mais
Do meu quarto inerte
Livre do motivo, não necessito do revide
E a falta de gasolina não produz a fumaça eficaz
Ligo e desligo a TV mil vezes
Escuto os carros lá fora
Há sinais vermelhos nas ondas verdes
Está quente e meu sono não me pertence
O ventilador gira hora depressa, hora devagar
Na prateleira apenas livros que no momento não interessam
No coração apenas a vontade de voar
Acabou-se tudo
E há falta de tudo para mudar
Eu e a insônia sozinhos na madrugada
Libertando minha mente para viajar
Mulheres de Belo Horizonte
Mulher Belorizontina me diga onde vais
Passos apressados que me deixam para traz
Caras fechadas, mulheres apressadas
Calças apertadas, camisas decotadas
Mulher Belorizontina, me diga onde vais
Saltos sobre o asfalto, que me deixam para traz
Horas trabalhadas, mulheres atarefadas
Crianças separadas, mães tão devotadas
Mulher de Belo Horizonte
Pare tudo por um instante
Perceba a sua beleza
E faça parte desta natureza
Mulher Belorizontina, me diga onde vais
Pernas torneadas, que me deixam para trás
Secretária, psicóloga
Dona de escritório
Advogada, feirante
Parem todas por um instante
Mulheres de Belo Horizonte
Parem todas por um instante
Tão lindas, tão belas
Do lado de cá do monte
Mulheres de Belo Horizonte
Mulheres de Belo Horizonte