
Aos que se foram
Se você for embora
Eu não lhe empedirei
Não fecharei a porta
Nem ao menos a trancarei
Não sofrerei como nunca
Porque nunca imaginei parar de sofrer
Não me afogarei na tristeza
Porque nunca imaginei não mais entristecer
E continuarei lhe amando
Como amo a todos que se foram
E quem eu amo não merece nenhum ódio
Mesmo aqueles que nos abandonam
Se você for embora
Talvez escreverei mais
Retratarei o que me ocorre com palavras
Tratarei com carinho o que ficou para traz
Porque meu pensamento não mudou
E por isso sou o que sou agora
Já disse antes que você não seria a primeira
E nem a última a ir embora
Nota do autor: Quem morre, tem que ser deixado ir. Lamentar-se, abater-se, só interfere na ida de quem já morreu.
Assalto
Tudo rápido
Como a morte
Tudo rápido
Como a sorte
Eu não senti o frio do cano
Na minha cabeça
Eu não sento o frio do medo
Na minha barriga
Eu não achei que morreria
Mas sei como é
E desejei extermina-los
E desejei encontrá-los
Porque eles não sabem o preço
Do meu suor
Da minha tranqüilidade
Da minha família
Porque eles não entendem
Minha ansiedade
Minha revolta
Minha coragem
No fim das contas
Estamos entre dois bandos
De um lado assassinos declarados
De outro assalariados descompromissados
Os dois prontos a te roubar
Dispostos a matar
O primeiro esta em cada esquina
Em todo lugar
Sem nada a perder
Sem um futuro para sonhar
O segundo em cada seccional
E em nenhum lugar
Com tudo a perder
Sem um motivo para lutar
E no meio estou eu, está você
Pronto para ser roubado
Pronto para morrer
Obs: NEM SÓ DE MÁ NOTÍCIA VIVE A HUMANIDADE