
O sonho acabou. Na verdade nem acabou, o sonho estragou. O que era um saboroso sonho agora é um farelo duro e sem gosto, única coisa “ingerível” no momento.
5 anos de “toma lá dá cá”. Meu sentimento devaneia por esta expressão antiga, que aprendi a dizer há muito tempo, mas que só agora percebo, como uma imensa muralha bem à minha frente, seu real significado. Aqui doei 5 anos do meu trabalho, dos meus sonhos, da minha saúde. 5 anos viajei
Outra expressão me surra a mente, neste inferno astral dos cinco anos: “Custo Benefício”. Tantas vezes usei este termo, considerei e preponderei com meus incontáveis auditados e agora, minha balança “Custo X Benefício” passa a tender para o primeiro lado como que profanando o segundo, alterando-o para “sacrifício”. Custa-me muito caro não poder ver o mundo, as pessoas, a correria dos carros. Cenas simples e cotidianas como os pombos nos fios, os jornaleiros nas bancas ou a simplicidade dos flanelinhas nas ruas. Custa caro a ferrugem de mais de 1800 dias em uma mesma mesa, de uma mesma sala, de um mesmo corredor, de um mesmo prédio. O mesmo com as mesmas pessoas, coisas, objetos e fantasmas. Meu beneficio vem em forma de experiência, já um pouco saturada e desbotada, provedora dos olhos que enxergam sempre as mesmas cenas, como que vindas de um antigo vinil arranhado, tocando infinitamente, insistentemente e irritantemente a mesma coisa.
Estou aqui lutando para que meu sangue não se transforme em gusa, matéria prima para fazer um coração de aço. Quantas carinhas se foram, perdidas do meu convívio, e me deixaram a saudade. Quantas histórias poderei contar um dia, movido a bebida, me ajudando a gargalhar. Firme como o aço só mesmo minha certeza de que sobreviverei a tudo isso, minha certeza que irei embora, minha certeza da minha certeza.
Este não é um fim nem tão pouco um e-mail de despedida. Não há champanhe na chegada e nem belas modelos me aguardando com lindas e grandiosas coroas de flores. O texto é a minha arma contra tudo e todos. É minha opção de rebeldia enquanto passo pelo que o Plano Espiritual desenhou para minha vida. É assim que posso me resignar e passar por tudo isso de forma sóbria e apaziguada. Sem perder o foco, sem deixar de enxergar os benefícios mesmo que já tão microscópicos a esta altura. É assim que reluto em receber uma chapa de patrimônio, porque sou dono de mim mesmo. É assim que serei um produto do meio, o meio das exceções.
O sonho não acabou. Por enquanto ele é apenas um nariz de palhaço em minha cara. Mas enquanto a vida insiste em me surrar no sentido profissional, do meu lar, da minha família e dos meus amigos posso retirar a magnífica imagem de uma vida maravilhosa e boa. A vida com que nunca deixarei de sonhar.
JOURNEY INTO DARK
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VIAJE HACIA LA OSCURIDAD
Este não é meu mundo
Qual será o seu ?
Você tem certeza ?
Passeando pelo escuro da noite
Você toma algumas decisões
Esta na hora mas você não vai voltar para casa
Alguns passos insanos no escuro da noite
Você é mais uma sobra
Uma sombra que não voltará para casa
Este não é o meu mundo
Nem tão pouco o seu
Eu posso ouvir seus passos
Eu posso lhe enxergar na escuridão da noite
Porque este não é o meu mundo
Qual será o seu ?