
CADA DIA UMA
FOTOGRAFIA
Na poesia as letras falam
E as vezes gostamos de
escutar
Gostamos de uma poesia quando
Lendo as letras possamos nos
identificar
Mas nem só de letras é feito a vida
Pois as imagens fazem
a vida também
Hoje apresento uma surpresa diferente
Algo novo para aqueles
que aqui vem
Cada dia uma poesia acabou evoluindo
Como a vida da gente
que vai fluindo
Vou compartilhar mais além da minha grafia
Na forma de
Cada dia uma fotografia
As palavras estão meio sumidas
Como em uma
entre safra intelectual
Blog desatualizado não me deixa contente
Por isto
começo tudo novamente

E LÁ VAMOS NÓS...
OBS. Para acessar meu fotolog basta clicar no título do tesxto de hoje...
Ou no link ae do lado...
NO CALOR DA INDIGNAÇÃO
A janela por onde vejo a serra está fechada
Um frio corta meus ossos
E o tempo feio me desanima
O sol deu licença ao inverno
Nada de corpos à mostra
Nada de cores quentes
Apenas meu pulmão que não respira
Apenas o trincar dos meus dentes
É o inverno
Tempo frio que para alguns é o inferno
Como a mulher suja da padaria
E seu filho americanizado
Sujos e abandonados
No mesmo balcão
Onde outras pessoas de empoleiravam
Disputando a atendente que embrulha pães
Incapazes
Frios como o inverno
Do meu bolso saíram doze reais
Que alimentaram minha família
E arrancaram um sorriso e lágrimas
De um rosto abrutalhado pela vida
Os doze que se transformaram em pães e leite
Tão míseros quanto o sentimento daqueles que lá estavam
Incapazes de perceber a escuridão dos outros
Tão pequenos como as gotas de chocolate do menino
Que não as comeu porque a fome o fez dormir naquela tarde
Pobres diabos
Infinitamente mais pobres do que a mulher que lá estava
Que agradeceu chorando
Com vergonha da sua pobreza
Pobre mulher
Nem percebeu que a vergonha era minha
Por viver em uma sociedade tão medíocre
Que sempre dá as costas a quem precisa
E estende a mão para tudo que é fútil e chique
A janela por onde vejo a serra está fechada
Um frio corta meus ossos
O tempo feio me desanima
Mas aos poucos acabo me aquecendo
Não pelos poucos raios de sol
Mas pelo calor da minha própria indignação