
PERDIDO
Ando pelas ruas
Onde andará você ?
Eu tento lhe encontrar
Porque não consigo lhe achar ?
Faz frio agora
Como todo mês de maio
Um frio de vento
Que me corta todo por dentro
Então eu vejo você em um carro
Ou mesmo dentro de um ônibus
De cabelos loiros ou negros
Qualquer pessoa pode ser você
Como poderei saber ?
As ruas estão cheias
De pessoas que podem alimentar meus sonhos
Por isso me sinto tão perdido
Porque todas elas parecem ser você
Mas ao mesmo tempo ninguém é
Em meio a tantos onde estará você ?
Eu não acredito que estou sendo incapaz
De finalmente encontrar você
Então eu me apaixono momentaneamente
E imagino ter encontrado você
Mas na manhã seguinte partirei de novo
Porque errei mais uma vez
Quando finalmente irei acertar ?
Imagino você nas ruas e bares !
Imagino você em todos os lugares !
Imagino que você irá aparecer para mim
E finalmente iremos nos amar
E poderei parar de procurar
Todo mês de maio é muito frio
Principalmente para quem está só
Por isto lhe procuro em todos os lugares
E sempre acho que encontrei você
Vou seguindo procurando e errando
Mas vou seguindo...
ACUPULTURA-VOCÊ-MOTO-LEITURA E MUSICA
A agulha veio na dose certa
Meio do braço, ponto não sei o que
Tudo estava meio acelerado
Agora não mais mesmo sem porque
Ela me deu o seu amor
Eu sorrindo aceitei
Porque eu a queria tanto
Ela é tudo que desejei
Mais um ponto de agulha
Desta vez no meio do peito
Uma ajudazinha para o pulmão
Dizimando o mal que a asma tem feito
Estou de carro, não
Estou de moto
O vento bate no rosto
Idas que vem e que vão
O calcanhar de Aquiles
Esconde outro ponto numerado
A agulha é cravada nele
E a dor estimula o que estava parado
Leio o livro que o Du me deu
Palavras que traduzem o que eu sabia
Perguntas, respostas, filosofia
Clareza explícita que me surpreendeu
Fim da sessão
Hora de dormir abraçado
A motocicleta está estacionada
E o livro está fechado
Mais uma de Lampião
Teu corpo suado de guerras sem fim
Repousava na enorme planície coberta de estrelas
Em seus sonhos apenas os horrores da guerra
E a visão de seus entes queridos mortos pelo chão
Um verdadeiro guerreiro se faz Rei nestes momentos
E sua arma estará pronta a desafiar seus inimigos
Com dificuldade ele ergueu seu corpanzil
Ele fitou aquelas terras por alguns instantes
E sentiu o cheiro de seus opositores
A tropa ainda capenga do último ataque
Levantou-se um a um ao ver que o comandante estava em pé
A confiança novamente os tomou a todos
Armas carregadas eles partiram rumo a outra batalha
Onde novas vidas se perderiam
Onde somente os corajosos se atreveriam
O bando de Lampião surpreendeu a milícia Sergipana
Após bater em retirada, o que sobrou deles voltou
Tomando de assalto a festa de comemoração dos Macacos
Que celebravam a retirada do Capitão
O grupo que contava com mais de 50 homens
No final se resumia há meia dúzia de cabras
Mas a honra dos outros estava lavada com sangue
E isso foi o que importou
O Filho de Serra Talhada mais tarde iria acabar tombando
Vitimado de bala da própria polícia
Mas suas idéias sobrevivem
Liberdade, igualdade e coragem...