
(fotografia: José Goes)
FOTOGRAFIA
A BELA MULHER CRUZOU SEUS BRAÇOS
EM UM MOVIMENTO ÚNICO
SE AJOELHOU SOBRE A CAMA
COM SEUS PÉS PARA FORA
SEUS CONTORNOS MISTURARAM-SE
NAQUELA ESTRANHA E BELA POSIÇÃO
COMO SE FOSSE UM QUADRO
FRUTO DA IMAGINAÇÃO
SEUS PENSAMENTOS PRETOS E BRANCOS
BORRARAM AS PAREDES DO QUARTO
NÃO HAVIAM SOMBRAS
APENAS SUA SILUETA
O SEU NU DESPUDORADO
QUE DE TÃO SIMPLES PARECE
QUE ALGUÉM JAMAIS TENHA O TOCADO
SEU CORPO COMO QUE MARCADO
EXPÕEM O BELO TRIBAL TATUADO
QUE SEUS CABELOS QUASE COBREM
VINDOS DE UM ROSTO QUE NÃO EXISTE
ABERTO, FECHADO, FELIZ E TRISTE
O CORPO E O CENÁRIO
TUDO AQUILO ERA REALIDADE
APENAS NO OLHAR DO ARTISTA NÃO ERA
AQUILO ERA A OBRA DE ARTE
UM CLIK E A LENTE SE ABRE
ROUBANDO A BELA MULHER E SEU PRANTO
LEVANDO AS PAREDES MANCHADAS
E TODO AQUELE PRETO E BRANCO
DEIXANDO PARA TRAZ SEU NOME
SUA IDENTIDADE
FAZENDO AGORA VIRAR ARTE
O QUE A INSTANTES ERA REALIDADE
O SONHO
O Sonho
Que pode ser descrito
Muitas vezes
Indescritível
Que bode ser prazeroso
Muitas vezes
Sem sentido
Que me faz livre para correr
Sem sair do lugar
Que me mostra cores
Das quais não consigo me lembrar
Que traz as pessoas
Que conheci em alguma vida
Em algum outro lugar
Que me apresenta pessoas
Que ainda irei encontrar
Sonho que não posso dominar
Acordo com o coração descompassado
Com medo
Acordo suado
Com saudade
Miragem sonhada, mensagem frustrada
Interrompida pelo despertar

No baú haviam várias fotos antigas. Era o tal passado congelado que eu já tinha ouvido falar, mas que nunca tinha presenciado. Abrindo a tampa com cuidado pude ver as tais fotos-sorrisos, fotos-tristezas, fotos-lugares, fotos-ex-amores e as fotos-passados. Lógico que me assombrei quando vi todos aqueles rostos sorrindo como se fossem para mim... Me imaginei fotógrafo sendo fotografado. As tais fotos pareciam me esperar para serem lidas e assim eu fiz. Algumas diziam que na época em que o Parque Municipal subia Assis Chateaubriand acima, havia um belo jardim exatamente onde é o Teatro Alterosa. Neste jardim é que Julia, a bela virgem de olhos de mel, descansava nas tardes de outono após lavar sua trouxa de roupas nas límpidas águas do Ribeirão Arrudas. Fiquei imaginando Julia e quase fui ao Bonfim para ver sua lápide, uma das primeiras que por lá se plantaram. Também escrita pelas tais fotos, pude saber da história de Amaro Pessoa, antigo tropeiro. Foi ele quem avistou primeiro, o por do sol da Cerra do Curral, foi ele mesmo quem contou na foto, que até mesmo seu cavalo ficou admirado com o tamanho daquele vale, por isso ficou por lá e montou sua choupana onde hoje é o hospital de Olhos, no bairro Mangabeiras.
Através do baú de fotos antigas, pude entender que os sorrisos daquelas pessoas que não conheci poderiam muito bem ser para mim desde que eu soubesse como contemplá-los e interpretá-los. São pessoas que não conheci, apesar de seus sorrisos familiares. Do Mirante da Caixa D'água da Copasa, onde já fumamos muito, passei a enxergar as coisas do passado, florescendo como as luzes da cidade às seis e meia da tarde. Foi lá mesmo que o Dr. Nelson e sua esposa Suelem me ensinaram que não há maior dom no mundo que a imaginação, justamente de lá daquele mirante de onde tantos tentaram dar seus vôos de Ícaro e não conseguiram, justamente de lá daquele lugar alto e belo onde de dentro do meu velho Opala Amarelo eu conheci Julia e a apresentei para Amaro pessoa...
A SEPARAÇÃO
A partir de hoje seguirei
para o norte
Desde que você siga para o sul
Na minha mochila não carrego
mágoas
Lhe desejo sorte e um lindo céu azul
Não levarei seu retrato ou
lembrança
E não desejo que leves o meu
Quero que você encontre algo
novo
Não tenha esperança pois eu não sou mais seu
Pode ficar com a
nossa casa
Cheia de coisas suas
De desejos teus
Eu levarei o
sonho
Cheio de coisas minhas
Desejos meus
Depois de tantos
anos
Eu descobri que estava vivo
Este é o verdadeiro motivo
Aquilo que
você se esqueceu
Talvez tenhamos estudado demais
Livros que não
ensinam a amar
Livros que não ensinam o amor
Esqueça a nossa música
predileta
Troque de rádio quando ela tocar
Se ela tocar...
Esqueça
nossas datas
Não viaje para lugares que visitamos
Viva outra
realidade
Não se lembre de mim
Apenas da nossa amizade
Não
direi mais nada agora
E lhe faço um último pedido nesta hora
Me preserve o
direito do teu silêncio
Enquanto não olho para traz e vou embora
Até
um dia, numa outra vida
Quem sabe?
Talvez até poderemos fazer
diferente
Tudo aquilo que fizemos de certo nesta vida
Mas que infelizmente
deu errado
Minhas pernas ainda estão travadas, fruto da caminhada de ontem. Prova pesada essa do Chalés Capuã... Acho que tudo acabou contribuindo. O Relevo proporcionava subidas íngremes e intermináveis, os rios que no começo traziam desespero e no final traziam alívio... mas o maior desafio sem dúvida era a lama, presente em toda a etapa. A lama que prendia os pés, que fazia-nos perder os passos, que nos jogava no chão. A lama que retirava a nossa atenção. Minha equipe a NANANANANÃO, estreou seu uniforme, graças aos nossos patrocinadores SERRA ADVENTURE, OXBOW e CIMENTO DAVI. Não foi uma boa estréia, porque em um determinado ponto perdemos muito tempo atrás de uma referência e logo depois a diferença desapareceu do Totem, além disso um de nossos navegadores não se sentiu bem e como equipe é equipe, comprometemos um pouco a prova por causa disto também. Destaques para nossas "afilhadas" Equipes: EKIBURAKO (Que chegou meio incompleta mas chegou), GERTRUDES (Que mandou bem na estréia em uma prova tão difícil) e
Valeu Valdebas (Chegaram rebocadas, mas chegaram !)
ETAPA RAVENA
Nove horas, hora de largar
Olhando à
minha volta
Já sei o que esperar
Estamos dentro de um buraco
Cercada de
água por todo lugar
Algumas dezenas de passos
Começamos a subir
A
parada passa batido
O PC passa adiantado
A prova começa a dar
errado
Os primeiros riachos nos banham
O resto da prova será
molhado
Trecho confuso e travado
O oeste aponta para o lugar
errado
São dezoito minutos de atraso
Que nos acompanhariam até o
final
Pela mata subimos 400 metros
Até a cerca e depois outra subida
descomunal
Quando o corpo se cansa
Leva a mente junto
Já não
sabemos se estamos atrasados
Ou se nossos passos estão
adiantados
Equipe uniformizada
É uma visão diferente
Um navegador
indisposto não atrapalha
O que atrapalha é o preocupar da gente
Passada
difícil de ser acertada
Neutral de beira de estrada
Momentos de rios,
pastos e clareiras
Momentos de estrada e mata fechada
Muitos estão
perdidos como nós
Mas no trekking existe uma verdade
Quanto mais difícil a
prova
Maior é a solidariedade
Depois de tantas trilhas e cercas e
buracos
Vencer se torna irrelevante
Completar a prova, superar o seu
limite
Isso é o mais importante
Terminamos muito longe do primeiro
lugar
Mas todos juntos conseguimos chegar
Daqui há um mês Mariana nos
espera
Será prova noturna e o bicho vai pegar !