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Estou correndo
Correndo muito atrás de você
Você não me ouve e eu sou obrigado a gritar
Todos vão escutar
E as pessoas olharão
Quebre a resistência
Olhe para trás
Abra sua mente
Você é capaz
Estou seguindo você
Agora tenho satélite
E posso ver você de cima
Serei capaz de gritar
E você vai ter que me escutar
E as pessoas olharão
Quebre a resistência
Olhe para trás
Abra sua mente
Você é capaz
Desejando escrever uma ópera
Para que minhas palavras sejam eternas
Enquanto toquem
Enquanto toquem meu coração
Que luta para ser feliz
E se libertar de pequenas pedras
Que insistem em ficar em meus sapatos
Que caminham procurando direção
Para que meu sol volte a brilhar plenamente
Como quando estou com você
Junto ou na minha mente
Imaginando o dia que partirei
De onde não consigo mais ficar
Como caminhei um dia na vida
E sem saber fui te encontrar
Como um ser que vaga sozinho
E é atropelado pelo seu destino
Destino que apenas me mostra o que já sei
E que me pede para deixá-lo me levar
Para onde jamais saberei
Pelo menos por agora
E mesmo assim confio nele
Pois foi deste mesmo jeito que lhe encontrei.
Quando te vejo de pernas para o ar
Penso no que você pode estar pensando
Ou invejo curtir a vida também
Estar à toa com você e ela no paraíso
E seu mundo também é uma bola
Uma bola que gira e brinca
E que cabe em uma mordida
Seu mundo é tão simples
Como abola que gira
Sempre bem humorado
Sempre disposto
A estar feliz em todos os momentos
Eu vejo você correndo pela casa
Sem se importar se ela está limpa ou arrumada
Tudo é bom e bonito
Como deve mesmo ser
E esse seu nome de psiquiatra
Freud é tão complicado
Que nem combina com você
Talvez você seja o posto disso
E também nos esteja ensinando a viver
O sonho acabou. Na verdade nem acabou, o sonho estragou. O que era um saboroso sonho agora é um farelo duro e sem gosto, única coisa “ingerível” no momento.
5 anos de “toma lá dá cá”. Meu sentimento devaneia por esta expressão antiga, que aprendi a dizer há muito tempo, mas que só agora percebo, como uma imensa muralha bem à minha frente, seu real significado. Aqui doei 5 anos do meu trabalho, dos meus sonhos, da minha saúde. 5 anos viajei
Outra expressão me surra a mente, neste inferno astral dos cinco anos: “Custo Benefício”. Tantas vezes usei este termo, considerei e preponderei com meus incontáveis auditados e agora, minha balança “Custo X Benefício” passa a tender para o primeiro lado como que profanando o segundo, alterando-o para “sacrifício”. Custa-me muito caro não poder ver o mundo, as pessoas, a correria dos carros. Cenas simples e cotidianas como os pombos nos fios, os jornaleiros nas bancas ou a simplicidade dos flanelinhas nas ruas. Custa caro a ferrugem de mais de 1800 dias em uma mesma mesa, de uma mesma sala, de um mesmo corredor, de um mesmo prédio. O mesmo com as mesmas pessoas, coisas, objetos e fantasmas. Meu beneficio vem em forma de experiência, já um pouco saturada e desbotada, provedora dos olhos que enxergam sempre as mesmas cenas, como que vindas de um antigo vinil arranhado, tocando infinitamente, insistentemente e irritantemente a mesma coisa.
Estou aqui lutando para que meu sangue não se transforme em gusa, matéria prima para fazer um coração de aço. Quantas carinhas se foram, perdidas do meu convívio, e me deixaram a saudade. Quantas histórias poderei contar um dia, movido a bebida, me ajudando a gargalhar. Firme como o aço só mesmo minha certeza de que sobreviverei a tudo isso, minha certeza que irei embora, minha certeza da minha certeza.
Este não é um fim nem tão pouco um e-mail de despedida. Não há champanhe na chegada e nem belas modelos me aguardando com lindas e grandiosas coroas de flores. O texto é a minha arma contra tudo e todos. É minha opção de rebeldia enquanto passo pelo que o Plano Espiritual desenhou para minha vida. É assim que posso me resignar e passar por tudo isso de forma sóbria e apaziguada. Sem perder o foco, sem deixar de enxergar os benefícios mesmo que já tão microscópicos a esta altura. É assim que reluto em receber uma chapa de patrimônio, porque sou dono de mim mesmo. É assim que serei um produto do meio, o meio das exceções.
O sonho não acabou. Por enquanto ele é apenas um nariz de palhaço em minha cara. Mas enquanto a vida insiste em me surrar no sentido profissional, do meu lar, da minha família e dos meus amigos posso retirar a magnífica imagem de uma vida maravilhosa e boa. A vida com que nunca deixarei de sonhar.
JOURNEY INTO DARK
/
VIAJE HACIA LA OSCURIDAD
Este não é meu mundo
Qual será o seu ?
Você tem certeza ?
Passeando pelo escuro da noite
Você toma algumas decisões
Esta na hora mas você não vai voltar para casa
Alguns passos insanos no escuro da noite
Você é mais uma sobra
Uma sombra que não voltará para casa
Este não é o meu mundo
Nem tão pouco o seu
Eu posso ouvir seus passos
Eu posso lhe enxergar na escuridão da noite
Porque este não é o meu mundo
Qual será o seu ?

Vento, 1996, acquerello, cm 60x46, TOMASO MARCOLLA
O VENTO
Existe um só vento
Que sopra em determinada direção
Ele não existe nos livros
E nem pode ser medido com exatidão
Quando este vento soprar teus cabelos
Lembrarás destas palavras
E poderás saborear seu carinho
Como saboreou em vidas passadas
Um vento silencioso e fresco
Que começa a soprar bem devagar
Que aos poucos sacode a tua roupa
Quase te fazendo voar
Como um pássaro estará preparado
E saberás a hora de se levantar
E esticarás teus braços
E deixarás este vento lhe tocar
E sorrirás se lembrando das coisas
De tudo que tanto perseguiu
E tudo ganhará um sentido certo
E entenderá tudo aquilo que já lhe oprimiu
E o vento passará dando lugar a calmaria
E sentirás saudade
E entenderás
E estarás em boa companhia
Tenho vontade de acordar
Olhar pela janela grande
Deixar a paisagem passar
Nuvens no céu distante
Formas brancas claras
Que se desdesenham num instante
É o mesmo céu de Minas Gerais
Do alto da pirâmide
Na trilha de Ibitipoca ou tanto faz
Só queria ver aquele céu novamente
Serras depois de serras
Uma depois da outra suavemente

Maggie Taylor Optimist's dress, © 2003
E ficarão com vocês
As sombras inexistente
E estarei bem longe
E voltarei a ser
Tudo que eu era
Novamente
Tudo que eu queria ser
Novamente
Por favor deixem me ir
Assistirei programas de TV
Enquanto almoço
E andarei pela cidade
Ao cair da tarde
E verei pessoas diferentes
E voltarei a ser
Tudo que eu queria
Novamente
Tudo que eu queria ser
Novamente
E ficarão com vocês
As sombras inexistentes
E de testadores, vocês serão testados
E pedirão uma chance a mais
E talvez ninguém os dê
E sobreviverão precariamente
Nas terras do sul
Enquanto isso no asfalto
Eu serei diferente
E voltarei a ser
Tudo que eu queria
Novamente
Tudo que eu queria ser
Novamente
Pessoas passam com seus ternos
E super máquinas os esperam na rua
Eu pego meu táxi
Máquina Japonesa
A meu serviço
Estou á traz
Pareço alguém importante
Na verdade até sou
Mas este mundo não me importa
Cartões ouro ou diamante
Sem filas nos aeroportos
Vejo senhores iguais a mim
Não quero envelhecer assim
Falando ao celular
Fechando negócios
Que eu não vou aproveitar
Enquanto isso, em casa
Suas famílias desmoronam
Enquanto isso, em suas cabeças
Suas vidas desmoronam
Senhores importantes
Senhoras poderosas
Dinheiro, carros e jóias
Negócios fechados
Olhos fechados
Celulares ricos
Cartões diamante sem fila
E o avião atrasa
E estão todos igualmente atrasados
Fazer o quê...
Diante da imensa janela, aviões
Trazendo e levando, pessoas
Recolhendo e despejando, ilusões
Vejo uma senhora preocupada
E um senhor de chapéu que vai à praia
Vejo um músico e seu instrumento
E um poderoso empresário perdido por um momento
A atendente imagina poder voar
A aeromoça sonha em poder ficar
Então estão, todos na escada rolante
Rolando um a um
Um piloto não confia no equipamento
O engenheiro vê o aeroporto em desenvolvimento
Raio X, tickets e despacho de bagagem
Policiais Federais, cadeiras de rodas, pouso e decolagem
Então estão, todos na escada rolante
Rolando um a um

MELHORES AMIGOS
Quem são meus melhores amigos ?
A música, o vento, o sol e a lua....
Um toque de passado,
Uma perspectiva de futuro,
Uma sombra, uma ilusão
O futuro em cima do muro.
Piano, saxofone, guitarra,
Música rápida ou lenta,
Estrada longínqua e curventa.
Filme com final feliz, talvez um meio,
Um meio de fugir do branco do ouro,
Um jeito de voltar atrás,
E começar novamente,
E te conhecer novamente
Fazendo tudo igual,
Apenas neste ponto.
Sendo no resto diferente,
Tentando novamente.
Começando não tão cedo,
Nem tão tarde demais.
Ah, viveria tudo mais uma vez,
E diria não, e faria errado, e iria embora antes
Como no Quartel de Abrantes.
Loucos, amigos, vadios, emocionantes.
Notas musicais, japoneses, diamantes.
Os que sobraram:
Estes são os melhores.
Os que atendem o telefone,
Os números poucos que ainda tenho.
Os que se foram e me encontram nas orações,
Muito mais presentes mortos que vivos.
Velhos amigos...
Nem tão velhos assim,
Os mais velhos se perderam no caminho,
Eu os perdi e eles me perderam...
A música, o vento, o sol e a lua....
Foi o que sobrou de tudo.
O som da música,
O alívio do vento,
O calor do sol,
O clarão da lua.

SOU HOJE MAIS
Onde os sonhos não atravessam ?
Perdido no espaço, paredes brancas...
Um grito longe
Lágrimas escondidas
De dor, de saudade, de si mesmo
Noites longas e quentes
E nem mais é verão
Intermináveis noites
Pesadelos errantes
Correndo sem sair do lugar
Ontem já faz um tempo
Um longo tempo à frente
Difícil de provar
Acreditar improvavelmente
Pensamento sem sentido
Sem juízo
Sem julgamento
Sem defesa
Sons antigos, Vinícios
Antigos vícios
Sou hoje mais

O FILHO
Traída pelo próprio pai
Julgou que não era traição
E gera na barriga
A esperança do futuro
Difícil e talvez melhor
Certamente diferente
E as balas do marido
Não mataram ninguém
Mas sua esperança morta está
Vítima de bala perdida
Está onde não deveria estar
E de um lado a outro de BH
Não há onde se esconder
Corrida frenética
Cidade pequena
Todos vão saber agora
E afora esconde o medo que aflora
E dentro protege o milagre bento

O grande dia
É chegada a hora
As nuvens finalmente se foram
Só temos o sol agora!
Todo mundo deixou seu trabalho
Todo mundo está na rua
Há felicidade generalizada
Todo mundo junto, cada um na sua.
Há grandes rodas nas praças
AS pessoas brincam sem parar
Algumas entoam mantras místicos
Outras simplesmente estão a cantarolar
Há uma felicidade contagiante
Não há como nem explicar
Agora todos se aplaudem
E muitos começam a se abraçar
Muitos têm lágrimas nos olhos
Alguns chegam a gritar
A polícia abandonou as armas
E os ladrões estão a se regenerar
E essa luz dourada cobre a todas as pessoas
E eu estou aqui no meio delas
Encantado, feliz, emocionado
Compartilhando coisas tão belas

VAZIO BY ALBERTO MONTEIRO (WWW.ALBERTOMONTEIRO.COM)
QUESTÕES
Olhaste bem ao seu redor ?
Não percebeu quanto está diferente ?
É porque acordou agora
Na hora de ir embora
As mesas vazias e melancólicas
Francisco Buarque no ar
Cadeiras viradas
Bandeirinhas coloridas que tremulam
Mas não há sinal de ninguém
Só este vento que anuncia a chuva
E a brisa molhada que vem
No canto uma câmera convencional
Que precisa ser revelada
Pois não é como a digital
Nunca se está certo com o que virá
Se parecerá loucura
Ou um simples fato normal
Os garçons jogam cartas na cozinha
As cozinheiras foram amamentar seus filhos
Porque dormes na mesa ?
Porque fechas teus olhos escuros ?
Porque fez questão de não estar lá
Mesmo estando presente ?
Nem todos os bancos de dados do mundo
Armazenariam uma só gota do meu sentimento
E sinto cada vez mais
Sentimento que se multiplica a cada momento
E acho bonita a chuva
E tenho muita vontade de Mar
E me sinto bem, forte e tranquilo
E meu coração nasceu para te amar
E não sou mesmo nada ou muito pouco
Perto do meu sentimento
Imensidão que sai de mim inexplicável
Tudo é amor a todo o momento
E respiro fundo o dia
E tento cada vez ser melhor do que ontem fui
"Amando-te, respeitando-te"
Deixando livre o que livremente flui
Digito as palavras, catando uma a uma
Deixando que elas tentem falar por mim
Às vezes elas quase me alcançam
Às vezes existe um abismo sem fim
Eu sou o meu sentimento
Eternamente fluindo de mim
Eu sou o amor que produzo e guardo
Como um banco de dados sem fimVocê se lembra dos fantasmas?
Os mesmos que lhe separaram
Daquele que mais lhe amou?
Os mesmos fantasmas que fizeram brotar lágrimas
De olhos maiores que os teus
Puxados para dentro
Não para fora como os seus
Talvez estes fantasmas foram embora
Depois de cumprir o que estava predestinado
Desencontro marcado
Nascido para dar errado
Do alto da serra, ainda existe um sol nascente
Que mesmo depois de tudo ocorrido
Põe-se no oriente
Na há mais fantasmas naquele lugar
Apenas uma brisa leve e fria
Cheiro de desencontro no ar
E hoje, às vezes e sem querer
O fantasma de ontem, hoje pode ser você
Que aparece e desaparece ao mesmo tempo
Sem perceber
E a vida é mais surpreendente do que se vê
Ontem corrias atrás de seus fantasmas
Hoje o fantasma é você.
A Praça da Liberdade era presa às nossas idéias
Era o realismo surreal da praça
Da vontade de voltar e viver
Mas como voltar
Se o motivo da minha vida é aqui
Nesse presente sem fim
Onde tenho tudo que busquei
Todos estes anos
Não há escolha
Mas ainda posso me lembrar
E imaginar ter sido diferente
Sem deixar de ser agora
Onde minha felicidade mora
Um outro lado
Uma outra escolha
Uma vontade de ficar onde está.
Eu apenas era parte disso tudo
E meu passado no presente esta